quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

João e José da Silva

Capitulo V
O aprendizado:
Já passado o susto e na paz que a distância dos trabalhos proporcionava mostrou o relógio e disse ao cão:
- Olhe quantas horas Zézim. - e repetiu uma espécie de latido dez vezes instruindo o parceiro.
Depois de repetir esse procedimento algumas vezes colocou o relógio no pulso do palhaço, que estava a uns dez metros de distancia assistindo tudo, o mesmo que viera conversando durante a viagem com João e repetiu ao atento animal:
- Olhe quantas horas Zézim!
O cachorro se colocou ao lado do pulso do palhaço, sentou-se ao lado do relógio e latiu dez vezes:
- “Au! Au! Au! Au! Au! Au! Au! Au! Au! Au!
E em tom de agradecimento disse o menino:
- Já? Dez horas! Passou a hora do jantar. – e continuou com duas palavras que já eram familiares ao cachorro - Vamos comer.
Vagarosamente o cachorro sentou-se a mesa que estava arrumada com uma toalha, uma panela, dois pratos, talheres e duas cadeiras. Calmo, José olhou para a panela; o garoto pegou com seu garfo dois pedaços de carne seca que usava para agradar Zézim e colocou um em seu prato e um no prato em frente à cadeira onde Zézim estava acomodado.
Os dois devagar comeram e terminaram juntos. Então João acalmou-se um pouco. Além de ansioso ele estava nervoso, não tinha certeza se Zé faria como sua mãe. O amigo era muito novo quando partiram e nunca havia comido a mesa com Dona´Ana como Quiquinha. Perguntou novamente algo conhecido ao companheiro:
- Quer mais?
Zé soltou como de costume ao ouvir esta frase mais um latido, desta vez semelhante à afirmativa palavra sim.
- Espera que já sirvo você. – falou lembrando-se de Dona´Ana e Quica – e fez da mesma maneira que a senhora que o acolheu.
Zé apenas comeu quando João começou a comer e novamente acabaram no mesmo instante. Joãozinho estava perplexo, porém não iria parar para não distrair o animal antes da conclusão do número, prosseguindo afirmou:
-Já é tarde, vamos dormir.
João normalmente por hábito esticava um pano no chão e em seguida o cão deitava, fez da mesma maneira, só que desta vez arrumou as duas camas como se duas pessoas fossem dormir e ao terminar disse:
- Pronto, vamos dormir. - Quando o menino deitou, o cachorro ficou indeciso, não sabia se deitava junto de João ou na outra cama que havia sido preparada.
Zé tomou a decisão certa e deitou-se na sua própria cama fingindo dormir por quase um minuto enquanto seu parceiro humano fazia o mesmo.
- Muito bom! Muito bom! – repetiu o palhaço batendo palmas, quando para finalizar seu espetáculo o menino teve a idéia de levantar olhar para o palhaço e se curvar. O cachorro seguiu o [dono] que em voz baixa deu mais um [comando] ao amigo:
- Deita.
E assim como em um ato de agradecimento os dois finalizaram o primeiro ensaio e o primeiro número circense de suas vidas. Que seu colega palhaço achou incrível e elogiou muito.

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